Dormir Demais: Quando o Excesso de Sono é um Sinal de Alerta
Dormir mais de 9 a 10 horas regularmente pode ser sinal de depressão ou de outro problema de saúde. Aprende quando o sono excessivo merece atenção.
A maioria das conversas sobre sono e saúde mental foca o sono insuficiente. Mas o excesso de sono, chamado hipersónia, também está frequentemente associado a problemas de saúde mental que merecem atenção.
A hipersónia não é a pessoa que de vez em quando tem uma noite mais longa depois de um período exigente. É o padrão persistente de dormir 10 ou mais horas e ainda assim acordar sem energia, de passar muito tempo na cama mesmo fora das horas de sono, ou de sentir sonolência excessiva durante o dia apesar de ter dormido muitas horas.
As causas mais comuns de sono excessivo
Depressão
A hipersónia é um dos sintomas de depressão, especialmente em depressão sazonal (SAD) e em depressão bipolar. Contrariamente à insónia que é mais frequentemente associada à depressão, há uma percentagem significativa de pessoas deprimidas onde o padrão é o oposto: dormir mais do que o habitual, dificuldade em levantar, e não se sentir descansado apesar das muitas horas.
Se ao excesso de sono se juntam humor persistentemente baixo, perda de prazer em atividades que antes eram apreciadas, e alterações de apetite, vale a pena falar com um médico.
Fadiga crónica e burnout
O corpo que está em burnout prolongado pode usar o sono como forma de recuperação emergencial. O excesso de sono pode ser sinal de que o sistema nervoso está tão esgotado que precisa de mais tempo de recuperação do que é habitual.
Problemas de sono não tratados
Paradoxalmente, algumas condições que perturbam a qualidade do sono, como a apneia do sono, resultam em sono excessivo porque o sono é de baixa qualidade: dormes muitas horas mas o descanso efetivo é reduzido. A apneia do sono está frequentemente não diagnosticada e tem impacto significativo tanto na saúde física como na saúde mental.
Sedentarismo e falta de estimulação
Em períodos de isolamento, de falta de propósito, ou de rotinas sem estrutura, o sono pode tornar-se um mecanismo de fuga ou de evitamento. A cama como refúgio do mundo. Este padrão pode tanto ser sinal de depressão como contribuir para o agravamento de estados depressivos.
O que fazer
Se o excesso de sono é recente e está associado a um período particularmente exigente, pode ser uma resposta temporária de recuperação.
Se é um padrão persistente acompanhado de sintomas emocionais ou funcionais significativos, merece avaliação. Começa com o médico de família, que pode avaliar causas físicas (como apneia ou alterações hormonais) e encaminhar para avaliação de saúde mental se relevante.
Manter alguma regularidade nos horários mesmo quando a tendência é ficar na cama mais tempo pode ajudar a quebrar o ciclo: a consistência do horário de acordar é um dos reguladores do ritmo circadiano mais eficazes, e é especialmente importante em estados depressivos.
Próximo passo
Escolhe o teu próximo passo para cuidar da tua saúde mental.
A AcalmaMe não substitui acompanhamento profissional de saúde mental. Em caso de crise, contacta a Linha de Apoio à Saúde Mental: 808 24 24 24 (gratuita, disponível 24 horas).